Por: Flávia Vieira (ex-pibidiana. Atualmente é professora de Língua Portuguesa).
O sonho de muitos é ingressar
em um curso superior, alguns optam pela docência, no entanto, nem
tudo acontece conforme se imagina e podem ser encontradas muitas
“pedras” no caminho.
Talvez a maior dificuldade
encontrada pelos professores seja a falta de uma "ponte" entre o que é
ensinado na Universidade e a realidade da escola, nomeadas por Neves
(2002) como “encruzilhadas do diabo“, “uma situada na “casa”
de partida- a Faculdade – e outra na “casa” de chegada – a
escola de ensino fundamental e médio” (p. 265).
Tomando como exemplo o curso
de Letras, podem ser apontados alguns “empecilhos” para que essa
“ponte” aconteça de forma satisfatória.
Durante a formação docente
em Letras Português estuda-se Fonética, Linguística, Literatura
Portuguesa, Brasileira, Universal, etc. Todas essas disciplinas são
úteis para orientar o trabalho posterior em sala de aula, a
“prática” ou transposição didática, no entanto, nem sempre é explorada pelos professores. Além disso, a escola é heterogênea, com regras próprias em cada instituição,
carga horária e conteúdos a serem seguidos e torna-se difícil, sozinho, juntar
teoria e prática, coisas que deveriam sempre andar juntas.
Para muitos, ainda na
Universidade, há o desejo de mudança, de inovação, aliados às
críticas ao tradicionalismo e, quando chega o dia de "debutar" na
escola, vem a decepção, a sensação de impotência perante a
realidade tão diferente do que foi visto e postulado durante o curso
superior.
Além disso, a Universidade
parte do pressuposto de que os alunos que ingressam no curso de
Letras já possuem uma considerável bagagem de leitura e
conhecimentos gramaticais, o que, na maioria das vezes, não ocorre.
Como consequência há uma série de dificuldades ao longo do
curso e, depois de formados, no desempenho da profissão.
Há também outro fator que
não pode ser esquecido: “a desvalorização do professor”, tanto
por parte do governo, que paga muito pouco para um profissional
formado em curso superior; das Instituições de ensino básico, que
muitas vezes não dão estrutura, não motivam nem colaboram para que
o professor continue pesquisando e inovando; e também por parte dos
alunos, que, muitas vezes, agem com falta de educação e/ou de
respeito.
Todos esses “detalhes”
prejudicam o bom funcionamento do planejamento do professor, e,
consequentemente, das aulas.
Diante disso, há que se
pensar em possíveis soluções para esses problemas, maneiras de
diminuir esse hiato que existe entre a Universidade e a realidade
escolar, visando atrair cada vez mais pessoas interessadas na
carreira docente e, também, fazer com que teoria e prática caminhem
sempre juntas.
É nesse sentido que o PIBID contribui, pois permite muito mais contato com a realidade escolar do
que o contato proporcionado pelo Estágio Supervisionado, cujas horas
de atuação são relativamente poucas levando em consideração
todas as experiências que precisam ser aprendidas e vivenciadas na escola.
Por fim, pode-se perceber que
o PIBID ajuda a construir essa "ponte" entre a Universidade e a
Escola, tornando a profissão de professor mais entusiasmante, mesmo em
meio a tantas pedras no caminho, pois esse importante Projeto nos ajuda a saber o que
fazer com elas.
Referência
NEVES,
M.H.M. A
Gramática: história, teoria e análise, ensino.
São Paulo: UNESP, 2002.